Pensamentos Clandestinos
Por Helena Hutz - Velocidade de leitura: MÁXIMA!
30.4.12
top.
As três buscas mais bizarras e as mais corriqueiras que fazem no google -
e que o google encaminha pro meu blogue são:
-porque bato punheta (porra, o cara não sabe?)
- cu duro (o que seria um cu duro?)
- olhos de cocainômano...
pois é.
Mas também helena hutz, helena rutz, helena huts, roots...
(fotos linn jardim)
5.2.12
Largar mão.

(foto Pedro Hahn)
Ando com uma saudade tremenda de andar por aí de mãos dadas com você. Mas daí penso e não sei se de fato lembro da gente andar de mãos dadas por aí. O que lembro bem é de agarrar sua mão quando atravessávamos a rua. Porque o meu medo do mundo se aflorava ao seu lado, meu medo de mim ao seu lado fazia eu agarrar sua mão com uma voracidade feroz.
Que você não deixava eu entrar em boteco sozinha pra comprar cigarro. Você entrava no boteco comigo de mãos dadas e essa minha voracidade de te amar sumia, sumia...
E logo a gente largou mão.
............
Vou largar mão do blogue por um tempo,
irei agarrar os estudos com maestria.
2.2.12
1.2.12
À francesa.

Vou sair à francesa dessa festa.
A despedida não passará de um desvio de olhar.
Uma busca tardia de uma respiração lenta.
Vou sair derrotada pelo cansaço.
Com as mãos no rosto e os pés destruídos de tanto caminhar.
Foi um passeio longo sem diversão alguma.
Vou sair ruminando os pensamentos nunca expressos.
Meu desespero inconsequente não mudará de direção.
Então me despeço, cruzando os dedos pra dessa vez não falhar.
30.1.12
Aos amigos.
26.1.12
Gol.
Gosto de andar no escuro. Por isso sempre bato o pé em algum lugar.
Daí grito: "ai, caralho"!
Também me assusto fácil, bem fácil.
Daí grito: "ai, que susto"!
Mas juro que só grito "gol" quando, de fato, é gol.
Nada mais irritante do que quem grita "gol" sem a bola ter entrado.
Daí sim grito: "ai, caralho, que susto"!
Daí grito: "ai, caralho"!
Também me assusto fácil, bem fácil.
Daí grito: "ai, que susto"!
Mas juro que só grito "gol" quando, de fato, é gol.
Nada mais irritante do que quem grita "gol" sem a bola ter entrado.
Daí sim grito: "ai, caralho, que susto"!
22.1.12
Pra nossa lábia.

E eu peguei um táxi pra chegar em casa. Não quero dormir. Comprei 4 latinhas, bolei unzinho e resolvi curtir uma brisa, curtir algo pra somar com essa sensação babaca. Me disseram que sou igual a você. Que eu seria você se eu fosse homem e que você seria eu se você fosse mulher. Ele não suportaria ser mulher, pensei. Porque por dentro é tudo muito foda, fingir o tempo todo pra si mesma contentação. Eu não suporto mais fingir que sou comedida. Gosto é de ultrapassar limites, sentir algum prazer absurdo num fim de noite que só me traz arrepios. A verdade é que não aguento mais. Fica sempre tudo assim, uns dias ok, outros a gente leva: e um que nos arranca a alma. É hoje que eu levanto as chuteiras prum amor que é tesão de referência, é tesão por quem eu acho que sou eu.
.
O Ricardo Carlaccio escreveu esse texto sobre/para mim - blogue uns anos atrás.
Muito mudou, mas o desespero por correr atrás de algo - nem que seja meu rabo - ainda se mantém.
...
"(...)Mas eu comecei esse post com outro propósito e o propósito era falar sobre o blog da Helena Hutz, sobre os textos que ela escreve por lá. A Helena tem uma gang de garotas e elas jogam bilhar toda sexta feira e ela sempre me pergunta sobre as pastilhas de nicotina e faz uma cara tripreocupada e depois ri e desencana e sai andando com o resto da gang pra mais uma partida de bilhar. O barato é que a Helena me lembra aquelas garotinhas que eram minhas brothers na infância e que jogavam bolinha de gude com a gente e faziam carrinhos de rolimã e eram curiosas e tinham a ansiedade de saber todas as coisas do mundo no mesmo instante. A menina é meio que o Neal Cassady de saia, saca. É polifônica e joga bilhar bem melhor do que eu jamais jogaria. E escreve como se tivesse num salão de sinuca disputando uma partida sem fim com o Malagueta o Perus e o Bacanaço. Ajeita as bolas na mesa e depois encaçapa na mó precisão. Eu saquei isso quando os textos tratam de nós, homens irrecuperáveis, eles falam sobre nós sem pieguisse de mulherzinha, pelo simples fato de ela estar no crime junto com a gente, pelo simples fato de ser uma cúmplice dos vagabundos irremediáveis. E é por isso que eu virei fã do blogue dela, e é por isso que eu estou chupando mais uma pastilha de nicotina só pra ter gás e escrever esse texto. Bala na agulha, guria. A mesa está posta, agora é só derrubar as bolas. Ainda que a noite, muitas vezes, seja a mó sinuca de bico."
Muito mudou, mas o desespero por correr atrás de algo - nem que seja meu rabo - ainda se mantém.
...
"(...)Mas eu comecei esse post com outro propósito e o propósito era falar sobre o blog da Helena Hutz, sobre os textos que ela escreve por lá. A Helena tem uma gang de garotas e elas jogam bilhar toda sexta feira e ela sempre me pergunta sobre as pastilhas de nicotina e faz uma cara tripreocupada e depois ri e desencana e sai andando com o resto da gang pra mais uma partida de bilhar. O barato é que a Helena me lembra aquelas garotinhas que eram minhas brothers na infância e que jogavam bolinha de gude com a gente e faziam carrinhos de rolimã e eram curiosas e tinham a ansiedade de saber todas as coisas do mundo no mesmo instante. A menina é meio que o Neal Cassady de saia, saca. É polifônica e joga bilhar bem melhor do que eu jamais jogaria. E escreve como se tivesse num salão de sinuca disputando uma partida sem fim com o Malagueta o Perus e o Bacanaço. Ajeita as bolas na mesa e depois encaçapa na mó precisão. Eu saquei isso quando os textos tratam de nós, homens irrecuperáveis, eles falam sobre nós sem pieguisse de mulherzinha, pelo simples fato de ela estar no crime junto com a gente, pelo simples fato de ser uma cúmplice dos vagabundos irremediáveis. E é por isso que eu virei fã do blogue dela, e é por isso que eu estou chupando mais uma pastilha de nicotina só pra ter gás e escrever esse texto. Bala na agulha, guria. A mesa está posta, agora é só derrubar as bolas. Ainda que a noite, muitas vezes, seja a mó sinuca de bico."
16.1.12
5.
Eu me sentia em fuga há 5 anos.
"Continua que eu vou vomitar",
ele continuou e disse "pode vomitar".
Eu fechei em desespero os olhos há 5 anos.
Hoje meu sobrinho faz aniversário.
E há 5 anos me larguei na rua principal...
"Continua que eu vou vomitar",
ele continuou e disse "pode vomitar".
Eu fechei em desespero os olhos há 5 anos.
Hoje meu sobrinho faz aniversário.
E há 5 anos me larguei na rua principal...
10.1.12
Sincronia.
9.1.12
A cena é essa
6.1.12
Hoje.
3.1.12
Pra Cabexinha Parar II
Um ano atrás faleceu meu tio Nico. O tio Nico era o cara que se fantasiava de Papai Noel todo 24 de dezembro. Depois que os primos começaram a crescer minha avó colocava o saco vermelho na frente da porta e tocava a campainha. Todos gritavam "Helena, vai atender!". Eu era a caçulinha da família. Por volta dos 10 anos eu não aguentava mais aquela pressão de ser o centro das atenções e me escondi no banheiro quando bateram na porta. Nunca mais teve saco vermelho. Um ano atrás meu avô faleceu. Quando eu ia dormir após o natal com a minha mãe no sofá-cama do quarto da televisão ele sempre queria me ajudar a montar tudo. Eu dizia que ele era muito velho pra fazer força. Ele dizia que eu era muito nova pra ter força. Um ano atrás o Marião passou por tudo aquilo, e todo muito passou por tudo aquilo, e eu não refleti sobre nada. Eu dormi natal passado, eu não tinha força alguma.
Sábado ganhei um chocolate de um amigo gente boa do Edinho. Antes de eu ir dormir trombei o Paulo de Tharso e conversamos bastante. Mexi na bolsa por algum motivo e alguém viu o chocolate e eu disse "é pro fim da noite", daí o Paulo riu, falou da constante glicose e abriu o pacote. O chocolate caiu no chão que nem um cocozinho, todo esfarelado. Eu gritei: "ninguém viu, ninguém viu". O Paulo de Tharso deu risada.
Meu pai é médico e sempre disse que eu podia comer qualquer coisa que caísse no chão. Ele que me ensinou meu gostos bizarros. Saí com minha mãe e meu sobrinho minha irmã e meu cunhado pós eleição pra almoçarmos. Fui preparar meu prato e uma velhinha olhou pra ele e disse: "Gosto excêntrico, não"?
(E pode ser história antiga a gente, mas visualizar nada pro futuro é ruim demais - que você é constantemente presente).
(final de 2010)
Sábado ganhei um chocolate de um amigo gente boa do Edinho. Antes de eu ir dormir trombei o Paulo de Tharso e conversamos bastante. Mexi na bolsa por algum motivo e alguém viu o chocolate e eu disse "é pro fim da noite", daí o Paulo riu, falou da constante glicose e abriu o pacote. O chocolate caiu no chão que nem um cocozinho, todo esfarelado. Eu gritei: "ninguém viu, ninguém viu". O Paulo de Tharso deu risada.
Meu pai é médico e sempre disse que eu podia comer qualquer coisa que caísse no chão. Ele que me ensinou meu gostos bizarros. Saí com minha mãe e meu sobrinho minha irmã e meu cunhado pós eleição pra almoçarmos. Fui preparar meu prato e uma velhinha olhou pra ele e disse: "Gosto excêntrico, não"?
(E pode ser história antiga a gente, mas visualizar nada pro futuro é ruim demais - que você é constantemente presente).
(final de 2010)
2.1.12
... se fodeu!
O que é meu foi encontrado e
o que procurei se escondeu.
E quem sou já foi precário mas
quem fui não resguardei:
se perdeu.
Aonde vou não é sagrado e
onde estive não lembrei..
o que procurei se escondeu.
E quem sou já foi precário mas
quem fui não resguardei:
se perdeu.
Aonde vou não é sagrado e
onde estive não lembrei..
29.12.11
Toda vida.
Eu ainda na magia, no estalar os dedos!,
tu lá atrás, próximo à cortina...
... por que não mais me repudia?
(imagens Camila Moura - com Lasco e Fabio Brum - 2010)
"poema" do vídeo, CLIQUE AQUI.
tu lá atrás, próximo à cortina...
... por que não mais me repudia?
(imagens Camila Moura - com Lasco e Fabio Brum - 2010)
"poema" do vídeo, CLIQUE AQUI.
21.12.11
Em si.
20.12.11
Em tempo.
18.12.11
Ai.

(Foto Letícia Kruger - Com Paulo de Tharso no Nordeste)
Fiquei na vibe de pensar que tipo de mulher sou.
(...)
Não sei se sou aquela que fala de menos por não ter o que dizer ou se pra fazer charme pra alguém ou se é porque tá de bode, ou sei lá, nem tá.
Se sou aquela que fala demais porque acho do caralho o que tenho pra dizer ou se sei que falo bosta atrás de bosta ou se finjo que sei que falo bosta pra de novo fazer charme pra alguém, ou se é o caso de eu realmente não me importar com o que falo ou é porque sei que ninguém tá nem aí se falo ou não falo, se tô ou não tô.
Eu sou uma mulher que bebe mas que diz que não bebe e que tá tentando aprender que não tem porque dizer que não bebe e que continua dizendo que mal bebe, mas que bebe.
Sou aquela que pensa não ter muitas qualidades, daí do nada acha que tem várias, daí lembra que não, não tem, e se confunde e bebe e fala demais, depois fala de menos e bebe demais e acaba na noite fazendo charme pra alguém.
Acho que sou também uma mulher que ama um homem.
Uma mulher que não fica mal com o fato desse homem amar outra mulher só porque talvez ela mal fale, talvez nem beba, ou quem sabe porque ela fala coisas boas de serem ditas, beba coisas boas de serem bebidas, ou porque ela não se confunde com nada, não fala nada com nada, nem pensa em nada. E eu aqui falando dela e ela lá sem saber que penso nela mais do que eu gostaria, que amo o homem dela mais do eu deveria.
(texto de 2009, acho)
13.12.11
Love is a curious thing.
(Ayala)
Era mais um terceiro domingo de maio. Com uma blusa de veludo vermelha, um sapato de pano vermelho e uma calça jeans qualquer sentei na sala e pensei "muito liso", meu cabelo estava muito liso. E o liso me incomodava. A vida me assombrava. Sabe?, pode ter sido a fita presa em minha franja, que assim me aproximei daquele que boa companhia fazia quando eu apertava meu botão Nancy de ser: pois naquele dia eu estava caída no real, com os bolsos vazios!, estava lisa, eu só me debatia, me parecia difícil viver e muito fácil amar e saltar e morrer. Foi um táxi, não sei. Naquele bar me apresentaram a você e consegui suspirar, "vodka" eu disse e seu soluço foi maior, vodka me trouxe e fez alguma garota o gloss me emprestar. E vários saltos nos separaram do acaso. A fome surgiu pós bebedeira!, destino hamburguer com um mané qualquer. Olhei de soslaio e te vi entrar, não me aguentei e quis te abraçar. Sua mirada era de quem não me conhecia, mas o meu andar te fez lembrar da nossa noite e suas companhias, da minha panaca rebeldia!, o meu andar fez contigo um par. E mais alguns saltos do acaso. Quando me vejo estou ao seu lado, destino Paraná e eu aberta a seu parceiro, de prontidão pro meu me humilhar. Ganho de presente meu melhor apelido, alguns quilômetros rodados, um homem roubado, mas que importa?, te fiz de amigo. Os saltos agora foram pensados. Foi você de canto esperando minha mãe chegar. Você de cara amarrada no bilhar, mais que puto da vida por eu ser assim tão sofrida!, um beijo e nós novamente a andar. Outro salto sem pressa e a gente na praia, você gargalhando por ter me feito nadar!, e eu me afogando e rindo por seu casaco eu estar vestindo, tudo na noite sem pistas de algum luar. De esposa "Maria Helena" fui neta, de espírito de porco foi puro, é puro!, mas tenho certeza que no trecho mais escuro estará você me girando até eu quase gorfar, me xingando de esperta por perder a tipóia no bar e sempre com um sorriso na alma toda vez que do 103 eu voltar.
.....

(Ayala, Eu e Basa)
.....
(Basa)
Pra ti serei clara: aprendiz por data, mas homem feito e inteiro por tombo, risadas, trapaças!, que sua graça se ninguém traça lá tô eu no tombo, na risada, sem trapaças por nossas desgraças que a gente traga e com calma sem mais tombos, só risada e um basta.
.....
Felicidades e muito obrigada.
Era mais um terceiro domingo de maio. Com uma blusa de veludo vermelha, um sapato de pano vermelho e uma calça jeans qualquer sentei na sala e pensei "muito liso", meu cabelo estava muito liso. E o liso me incomodava. A vida me assombrava. Sabe?, pode ter sido a fita presa em minha franja, que assim me aproximei daquele que boa companhia fazia quando eu apertava meu botão Nancy de ser: pois naquele dia eu estava caída no real, com os bolsos vazios!, estava lisa, eu só me debatia, me parecia difícil viver e muito fácil amar e saltar e morrer. Foi um táxi, não sei. Naquele bar me apresentaram a você e consegui suspirar, "vodka" eu disse e seu soluço foi maior, vodka me trouxe e fez alguma garota o gloss me emprestar. E vários saltos nos separaram do acaso. A fome surgiu pós bebedeira!, destino hamburguer com um mané qualquer. Olhei de soslaio e te vi entrar, não me aguentei e quis te abraçar. Sua mirada era de quem não me conhecia, mas o meu andar te fez lembrar da nossa noite e suas companhias, da minha panaca rebeldia!, o meu andar fez contigo um par. E mais alguns saltos do acaso. Quando me vejo estou ao seu lado, destino Paraná e eu aberta a seu parceiro, de prontidão pro meu me humilhar. Ganho de presente meu melhor apelido, alguns quilômetros rodados, um homem roubado, mas que importa?, te fiz de amigo. Os saltos agora foram pensados. Foi você de canto esperando minha mãe chegar. Você de cara amarrada no bilhar, mais que puto da vida por eu ser assim tão sofrida!, um beijo e nós novamente a andar. Outro salto sem pressa e a gente na praia, você gargalhando por ter me feito nadar!, e eu me afogando e rindo por seu casaco eu estar vestindo, tudo na noite sem pistas de algum luar. De esposa "Maria Helena" fui neta, de espírito de porco foi puro, é puro!, mas tenho certeza que no trecho mais escuro estará você me girando até eu quase gorfar, me xingando de esperta por perder a tipóia no bar e sempre com um sorriso na alma toda vez que do 103 eu voltar.
.....

(Ayala, Eu e Basa)
.....
(Basa)
Pra ti serei clara: aprendiz por data, mas homem feito e inteiro por tombo, risadas, trapaças!, que sua graça se ninguém traça lá tô eu no tombo, na risada, sem trapaças por nossas desgraças que a gente traga e com calma sem mais tombos, só risada e um basta.
.....
Felicidades e muito obrigada.
12.12.11
BASAYALA 2011

Nossa tradicional festa jam de fim de ano que enterra 2011 e comemora os aniversários de Vespasiano Ayala, Diego Basanelli, Grima Grimaldi e do inigualável Paulo de Tharso.
Sábado, dia 17/12, na Coletivo Galeria: Rua dos Pinheiros, 493. A partir das 22h.
Este ano jam com:
...
Stoned, Alice Não Dorme, Paulo de Tharso, Mário Bortolotto, Baby La Barba, Flávio Vajman, Fernanda D´Umbra, Fábio Pagotto, Rick Vecchione, Ciro Pessoa, Sérgio Serra, Robério Santana, The Bluerockers, Sidão Harper, dentre outros!
Apoio: Loja Guitar Place, El Kabong.
10.12.11
Próximo ator.
7.12.11
6.12.11
Parcelado.

Elas amam outras pessoas e se entregam a outras pessoas e se envolvem assim:
vupt!
Eu sigo perdendo hora, marcando tempo...
.........
Não paguei pelo seu terceiro coração mas
não, não fui ladrão:
você fingiu esquecer de marcar
na comanda minha compra toda.
Levei apenas dois corações mas
não, fui muito são:
você fugiu ao saber que
questionei o preço...
- o teu valor disfarço -
à venda
1/3.
Reforma da Igreja
Nunca me esquecerei daquele primeiro de abril quando, ao sentar para tomar meu café da manhã, abro o jornal e me dou com uma notícia muito interessante. Ainda me lembro de sua manchete e palavras: "Pecados Capitais, é possível mudar?... bispo Ghor D. Ura, da associação dos padres gordos (Gordos em Cristo), propõe ao Papa a exclusão da gula dos 7 pecados... 6 já são suficientes, afirma padre Obo L. La".
Sou absolutamente contra essa reforma. Para mim a gula é um pecado muito grave tanto quanta a avareza ou a luxúria. Que história absurda ficar mudando coisas que já existem há tanto tempo. O que seria do badalado filme "Seven" se o bandido não tivesse matado tão fantasticamente aquele pobre gordão?
A gula realmente é um grande pecado! Fiquei tão revoltada com aquela reportagem que isso perturbou meu apetite, sendo assim comi apenas quatro ovos mexidos, duas tigelas com os crocantes Cornflakes e quatro pãezinhos com geléia.
("crônica" escrita em 1997 - 13 anos - para algum trabalho de escola: para meu grande amigo Renatão)
Sou absolutamente contra essa reforma. Para mim a gula é um pecado muito grave tanto quanta a avareza ou a luxúria. Que história absurda ficar mudando coisas que já existem há tanto tempo. O que seria do badalado filme "Seven" se o bandido não tivesse matado tão fantasticamente aquele pobre gordão?
A gula realmente é um grande pecado! Fiquei tão revoltada com aquela reportagem que isso perturbou meu apetite, sendo assim comi apenas quatro ovos mexidos, duas tigelas com os crocantes Cornflakes e quatro pãezinhos com geléia.
("crônica" escrita em 1997 - 13 anos - para algum trabalho de escola: para meu grande amigo Renatão)
Cento e Três

(Roda de Rock - Fevereiro/2011)
#########
RODEADA POR UM HALO BRANCO, SINTO-ME COMO NUM CASULO. O SILENCIO ME OPRIME, TENTO ARTIFICIALMENTE SUPLANTA-LO. LIGO RADIO, TV. NOTE BOOK, NADA ADIANTA.
É UMA LUTA COM FANTASMAS E AGULHAS. PINGOS QUE CAEM, PILULAS, DRAGEAS. ESSAS SAO O ARSENAL DELES, MAS O PRINCIPAL ARSENAL ESTA EM MIM MESMA. MAS , QUERO USA-LO? VOU UTILIZA-LO ?
NAO SEI SE CONSIGO. A SOLIDAO DOI, UNS VEM OUTROS VAO.
É UMA ALEGRIA EFEMERA, DEPOIS ACABO FICANDO COMIGO MESMA.
AO GIRAR OS OLHOS VEJO QUE HA UMA JANELA, AO LONGE, BEM AO LONGE VE-SE UMA NESGA DE UMA ARVORE, MAS NAO SEI SE QUERO SAIR DA MINHA PRISAO PRA IR LA. AFINAL, BEM OU MAL AQUI ME SINTO MAIS PROTEGIDA, DE MIM MESMA. POIS MEU PIOR INIMIGO NAO SAO OS ANJOS AMEAÇADORES QUE ME RODEIAM, MAS EU MESMA, EU LUTO POR MIM E CONTRA MIM, ISSO ME CANSA. SINTO-ME EXAUSTA.
ISTO VAI TERMINAR ? QUANDO ? COMO ?
E, PIOR, SINTO QUE NINGUEM, NENHUM ORACULO VAI ME REVELAR O DESFECHO.
SINTO, QUE SÓ O FUTURO IRA ME CONTAR O FUTURO.
########
(texto de Vespasiano Ayala - 103 se refere ao número do quarto do hospital onde fui internada)
5.12.11
Particípio.

São minhas impressões,
apenas expressões
do que aos poucos me é repensado!,
do que por tempos me foi relevado.
São minhas expressões,
apenas criações
do que de uma vez me é revelado!,
do que nunca me foi rejeitado.
São minhas criações
de nada já não criado
de um espírito já perturbado:
de um tempo breve e
de um espaço curto
e da fé nata em qualquer culto...
a compra de uma prece pré-fabricada.
(E coça minha nuca o frescor de um gerúndio)
30.11.11
Primavera.
Sei que fui eu quem destruiu a primavera...
É apenas medo de não voltar a ver o verão.
Entenda...
...preferi não alimentar minha árvore morta,
dois espíritos mortos,
duas almas em vão.
É apenas medo de não voltar a ver o verão.
Entenda...
...preferi não alimentar minha árvore morta,
dois espíritos mortos,
duas almas em vão.
Pilares.

(26/11 - Regis Nonato, Diego Basanelli, Alberto Elias, Letícia Kruger)
Sobre a amizade tem que experimentar, se render inteira, deixar fluir, deixar rolar: que jogar papo pro ar com defunto ao lado não é grandes coisas, mas são os grandes amigos que do defunto resgatam suas verdades todas. Sobre a amizade tem que experimentar, se entregar por inteira, não deixar a peteca cair, não deixar o amor acabar.
28.11.11
Fragmentos morais.

"Sería un azar demasiado portentoso que la realidad coincidiera luego con un llave tan complicada, preparada de antemano ignorando la forma de la cerradura". (Ernesto Sábato)
... volto a me questionar, foi tudo calculado? Foi, da minha parte, tudo calculado? Poderia ter sido, me alivia pensar que sim. Pois se tudo calculei o meu posterior boicote fez sentido, a cura me parece mais concreta - foi nossa história, portanto, apenas mais um padrão e, agora, na tentativa de me conhecer, posso modificar minhas crenças? - se foi calculado o destino se desvia, mudo meus hábitos!, caso não tenha sido a dor da perda da conquista se tornará grandiosa demais, e fazer de nós dois um acaso é como cicatrizar de vez um sonho. E esse sonho ainda me cai bem, pois não me despertei por completo, sigo sonhando. Talvez seja hora de acordar, talvez...
MANCHETE
Completos meus pulmões
despejando desamparo,
uma crença sem reparo,
vazios de antemão.
Apenas uma via
e ao final o seu perdão,
minha gana em contramão,
entupida essa vida.
Relataram, aproximadamente, 30 (trinta) anos de emoções congestionadas. Ainda pela manhã razão se mantinha reclusa.
(fonte de dados não segura)
27.11.11
Double Trouble.
25.11.11
Prece.
E não são quarenta anos,
são suas mãos em minha cintura.
Se desculpa, noite escura,
sua aparência mais uns tantos.
E em mim já não sei quantos,
nem antiga, nem futura.
Se sou puta, se sou pura,
"meu pezar" me dizem os Santos.
são suas mãos em minha cintura.
Se desculpa, noite escura,
sua aparência mais uns tantos.
E em mim já não sei quantos,
nem antiga, nem futura.
Se sou puta, se sou pura,
"meu pezar" me dizem os Santos.
24.11.11
"De todo modo, obrigada"
(à minha mãe)
Suspiro!,
me dilacero de amargura e
dou um basta na secura dos olhos de mar.
Respiro!,
esfrego sem mágoas o pulso e
dou um corte na pulsão de morte,
me certifico que cansou de me amar.
Suspiro!,
me dilacero de amargura e
dou um basta na secura dos olhos de mar.
Respiro!,
esfrego sem mágoas o pulso e
dou um corte na pulsão de morte,
me certifico que cansou de me amar.
23.8.11
Maduro.
Beco.
(Rosa Clara - André Peticov)
Que tipo de pessoa eu sou, que tipo de pessoa eu sou? que pessoa,
que tipo de mulher, que sou mulher, que tipo de pessoa eu sou?,
que tipo de raciocínio tenho, se raciocínio, como sinto,
que tipo de mulher?, se as sensações são válidas,
pra quem são válidas?, que tipo de pessoa sou?
da normalidade, da loucura, padrão?,
se sou um tipo,
se tenho tipo,
se faço tipo,
que mulher?
E os homens sozinhos lá fora
e o os bares abertos lá fora
e eu aqui dentro:
uma rosa murchando.
19.8.11
Medo e fé
Ano passado eu tinha medo de múltiplos de 3.
Era só aparecer perto de mim um 12, um 36, que eu saía correndo pelas ruas.
Daí um amigo me disse para eu começar a ter medo de números primos, "porque a cada dezena há três múltiplos de 3".
Era muito número para se ter medo.
"Os primos são mais raros", ele dizia.
Como sempre fui péssima em matemática perdi o medo por ignorância.
Talvez isso seja a fé: ignorar que é fato que há coisas que existem que não entendemos.
18.8.11
Tsunami.
Que essa dor não passa mesmo.
É que sempre imaginei como seria.
E segui o que queria.
Por isso essa dor me arrasta...
É que sempre imaginei como seria.
E segui o que queria.
Por isso essa dor me arrasta...
17.8.11
Projeto.
(foto Pedro Hahn)
O que pretendo é beber menos e não mais cheirar e fazer algo da vida além de beber menos e não mais cheirar.
-
Mas não tá rolando bem, então...
inverto:
-
Agora pretendo fazer algo da vida além de beber menos e não mais cheirar.
-
Nada certo, então...
duplico o menos:
-
Pretendo, portanto, com calma, beber menos e cheirar menos e fazer algo da vida além de beber menos e cheirar menos.
-
Outra falha, então...
duas negativas com mais:
-
Definitivamente pretendo não mais beber e não mais cheirar e...
-
Putz, muitos erros.
15.8.11
O que dá raiva são as flores e os dias de sol...
Nessa madrugada cortei uma peça de salame inteira e me lembrei de você.
Lembra, pai? De todas aquelas viagens que fazíamos nas férias escolares?
Viajávamos pelo sul do país, parando em qualquer tendinha de estrada, comprando queijo e salame artesanal, comendo como homens da caverna, arrancando pedaços com a boca.
Faz tempo que a gente não apronta alguma juntos.
A última vez que passeamos foi na virada cultural.
No domingo, ao invés de eu querer assistir alguma coisa com os amigos, te liguei. Eu tava super afim de ouvir música clássica, lembra? Nos encontramos na Sala São Paulo e, por falta de ingresso, andamos pelo centro.
Lembra daquela piada que contei? Aquela piada que só você entendeu? Não só entendeu como riu, realmente achou engraçada?
Na exposição de carros antigos você me apontava alguma velharia e me explicava as origens com detalhes. Quando vi um espaço vazio eu te disse "e esse carro aqui, pai, é o famoso carro invisível, criado em 1952...". Rimos e te levei pra conhecer o Museu da Língua Portuguesa.
Nós dois, sentados diante daquele mundo de palavras, ficamos mudos, curtindo.
Comentei algo sobre o grupo semântico do que aparecia na tela e você ficou fascinado. Coisas de pai, entendo. Mas coisas que apenas posso comentar com você, que ao menos você finge interesse. Você sente orgulho de mim nessas horas.
Só você mesmo! Só você pra me levar de carro a Florianópolis e voltar no mesmo dia.
Só você pra fazer eu passar perreio em avião. Só você tem a manha de me dizer que no Salgado Filho é muito complicado fazer aquela curva, que o piloto tem que ser muito do bom. E eu peidando ao teu lado, morrendo de medo, sabendo ser uma piada mas mesmo assim com medo.
Um vez estávamos presos na estrada, na BR 116. Saí do carro e disse que ia andar um pouco, tentar saber o que estava acontecendo. Era mentira, pai. Eu estava com 13 anos e precisava fumar um cigarro. Fumei, escondida, no acostamento. Essa besteira você não sabia, sabia?
Você não sabe de muita coisa.
Você me persegue de uma forma estranha, diz coisas estranhas.
Você não quer saber as boas novidades? Saber se estou bem? Se tenho sorrido um pouco?
Você só me procura pra saber onde estou. Sempre onde estou.
Onde você acha que estou, pai?
Estou nessa casa de merda, ou na casa de um sujeito de merda, nessa cidade de merda, ou em outra cidade de merda, porque toda cidade é uma merda, toda cidade tem um bar de merda, um cara de merda, um povo de merda, porque merda atrai merda, e eu sou uma merda.
Então, pai, eu estou na merda! É onde sempre estou.
Estou presa dentro desse corpo, tendo que acordar comigo, dormir comigo, todo dia.
Estu presa nesse corpo onde o cérebro comanda meu coração, e meu coração dá ordens erradas aos meus impulsos.
(antigo - pelo dia dos pais)
Lembra, pai? De todas aquelas viagens que fazíamos nas férias escolares?
Viajávamos pelo sul do país, parando em qualquer tendinha de estrada, comprando queijo e salame artesanal, comendo como homens da caverna, arrancando pedaços com a boca.
Faz tempo que a gente não apronta alguma juntos.
A última vez que passeamos foi na virada cultural.
No domingo, ao invés de eu querer assistir alguma coisa com os amigos, te liguei. Eu tava super afim de ouvir música clássica, lembra? Nos encontramos na Sala São Paulo e, por falta de ingresso, andamos pelo centro.
Lembra daquela piada que contei? Aquela piada que só você entendeu? Não só entendeu como riu, realmente achou engraçada?
Na exposição de carros antigos você me apontava alguma velharia e me explicava as origens com detalhes. Quando vi um espaço vazio eu te disse "e esse carro aqui, pai, é o famoso carro invisível, criado em 1952...". Rimos e te levei pra conhecer o Museu da Língua Portuguesa.
Nós dois, sentados diante daquele mundo de palavras, ficamos mudos, curtindo.
Comentei algo sobre o grupo semântico do que aparecia na tela e você ficou fascinado. Coisas de pai, entendo. Mas coisas que apenas posso comentar com você, que ao menos você finge interesse. Você sente orgulho de mim nessas horas.
Só você mesmo! Só você pra me levar de carro a Florianópolis e voltar no mesmo dia.
Só você pra fazer eu passar perreio em avião. Só você tem a manha de me dizer que no Salgado Filho é muito complicado fazer aquela curva, que o piloto tem que ser muito do bom. E eu peidando ao teu lado, morrendo de medo, sabendo ser uma piada mas mesmo assim com medo.
Um vez estávamos presos na estrada, na BR 116. Saí do carro e disse que ia andar um pouco, tentar saber o que estava acontecendo. Era mentira, pai. Eu estava com 13 anos e precisava fumar um cigarro. Fumei, escondida, no acostamento. Essa besteira você não sabia, sabia?
Você não sabe de muita coisa.
Você me persegue de uma forma estranha, diz coisas estranhas.
Você não quer saber as boas novidades? Saber se estou bem? Se tenho sorrido um pouco?
Você só me procura pra saber onde estou. Sempre onde estou.
Onde você acha que estou, pai?
Estou nessa casa de merda, ou na casa de um sujeito de merda, nessa cidade de merda, ou em outra cidade de merda, porque toda cidade é uma merda, toda cidade tem um bar de merda, um cara de merda, um povo de merda, porque merda atrai merda, e eu sou uma merda.
Então, pai, eu estou na merda! É onde sempre estou.
Estou presa dentro desse corpo, tendo que acordar comigo, dormir comigo, todo dia.
Estu presa nesse corpo onde o cérebro comanda meu coração, e meu coração dá ordens erradas aos meus impulsos.
(antigo - pelo dia dos pais)
9.8.11
Cicatriz
Assinar:
Postagens (Atom)










